Trechos da entrevista coletiva do governador Geraldo Alckmin concedida após posse de delegados e inv

Parte I

qui, 22/03/2001 - 13h40 | Do Portal do Governo

Parte I

Eleições 2002

Pergunta: Parece que o procurador geral da República emitiu parecer que entende que vice tem condições de se candidatar no ano que vem. O que o senhor pensa sobre isso?

Alckmin: Parecer é importante, mas a decisão final será do Tribunal Superior Eleitoral, do TSE. Então, há que se aguardar um pronunciamento do Tribunal Superior Eleitoral.

Pergunta: O senhor ficou animado com isso?

Alckmin: Essa questão da eleição não está na minha agenda. Está fora da minha agenda. Acho que esse ano é ano de trabalho, trabalho importante, dedicação. Agora, acho que sob o ponto de vista jurídico, eu acho que esse é o espírito da lei. Quer dizer, o espírito da lei qual foi? O que podia uma vez, poder duas vezes. Esse é o espírito do texto. Mas essa é uma questão jurídica que há que se aguardar a definição do Tribunal Superior Eleitoral.

Pergunta: O senhor disse que não está na agenda. Mas está no pensamento, governador?

Alckmin: Eu acho o seguinte: precipitar o processo sucessório, nós não vamos fazer isso.

Pergunta: O que a gente vê no nível Federal é que o próprio presidente Fernando Henrique, quando leva o ministro Serra para eventos e participa com faixas, com palanque e tudo mais… Com isso a gente não pode dizer também que o próprio presidente Fernando Henrique está precipitando?

Alckmin: Veja bem, é impossível o presidente fazer um evento de Saúde e o ministro da Saúde não estar presente. Você fazer um evento da Educação e o ministro da Educação não estar presente.

Pergunta: Mas têm eventos que não são só da Saúde. Pode ser transformado em palanque ou não, não é?

Alckmin: O próprio presidente tem desaconselhado essa precipitação do processo sucessório. Falta um ano e meio.

Pergunta: Mas ele desaconselha em palavras e não em atos.

Alckmin: Não, não. Ele tem dito claramente. É que o evento lá envolvia a área da Saúde.

Pergunta: O senhor não acha que o presidente tem uma inclinação pela candidatura do ministro José Serra?

Alckmin: Só o presidente pode responder.

Racionamento de água

Pergunta: São Paulo vive uma situação muito delicada em função da ausência de chuva. O racionamento deve acontecer?

Alckmin: Realmente nós já tivemos, no ano passado, uma redução pluviométrica muito significativa e, este ano, ainda maior do que o ano passado. Então, é preocupante. Nós estamos teoricamente no findar das chuvas. Março é o mês que geralmente as chuvas vão terminando. Temos uma esperança ainda com o mês de abril. Eu aprendi quando era criança que chove em mês que tem ‘r’, então, como abril tem ‘r’…

Pergunta: Março também.

Alckmin: Março também é mês de ‘r’. Setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março e abril. Então, nós temos ainda uma esperança de que possa chover em abril. Alguns estudiosos acham que pode ter havido um pouco de mudança na estação, quer dizer, você prolongar um pouco para abril a chuva. Mas é preocupante. Certamente vai haver racionamento. A situação mais crítica é na região do chamado Alto Cotia e Baixo Cotia. Os reservatórios estão baixos, temos que torcer para chover bastante ainda. Vai ser feita uma campanha. Porque quando é feita a campanha, a população participa. A experiência do ano passado mostrou que a população colabora. Aqui em São Paulo, em média, se gasta 180 a 200 litros de água por pessoa ao dia e há índices que mostram que isso poderia ser menos. A Organização Mundial de Saúde fala em 120. Então você pode ter um esforço da população reduzindo o consumo de água sem prejudicar ninguém.

Pergunta: Agora, pelas previsões, quando deve começar o racionamento?

Alckmin: A Sabesp está estudando, mas ainda não definiu a data.

Pergunta: Deverá ser antes do anúncio do ano passado, governador? No ano passado foi em junho.

Alckmin: Não, não. O ano passado foi antes de junho. Eu acho que em algumas regiões foi em 15 de abril.

Pergunta: Esse ano poderá começar já em abril?

Alckmin: Não, isso a Sabesp vai definir. Mas é preocupante, certamente vai ser necessário e vai ser feita uma campanha e a população tem que colaborar. E a população colaborando, ajuda a enfrentar o problema.

Energia de Henry Borden

Pergunta: Falando em energia, quando será publicado o edital de venda da energia da Henry Borden?

Alckmin: A EMAE deve publicar na semana que vem. Estão sendo feitas as últimas análises sob o ponto de vista jurídico. Há empresas interessadas e o edital deve ser publicado pela EMAE na semana que vem. E um outro fato importante também é que nós estamos na fase final para a assinatura do contrato da fase 2 do Tietê, pela Sabesp. Isso é importante, é financiamento externo e é só esgoto. Nós temos todas as estações de tratamento de esgoto concluídas no Governo Mário Covas. Estação de Tratamento de Esgoto de Novo Mundo, na Zona Norte; Estação de Tratamento de Esgoto de São Miguel Paulista, na Zona Leste; Estação de Tratamento de Esgoto do ABC e a ampliação de Barueri. Agora precisa levar o esgoto até as estações porque elas estão com a sua capacidade operacional diminuída, então precisam ser feitos a coleta e os emissários para levar o esgoto até as estações.

Posse dos delegados e investigadores

Pergunta: Governador, por favor, um rápido comentário sobre a posse dos delegados e investigadores. Eles vão precisar realmente ter muito peito, coragem, ousadia, para evitar possíveis fugas, rebeliões e até baixos salários?

Alckmin: Primeiro em relação ao salário, certamente não é o ideal, mas já está havendo uma recuperação das perdas ocorridas. O salário hoje é maior do que quando o governador Mário Covas assumiu e maior do que a inflação no período. Eu acho que é um grande desafio que eles tiveram a coragem de transformar em profissão. A Polícia está cada vez mais bem equipada: viaturas, informatização, equipamentos, armamento. As condições de trabalho da Polícia Civil estão melhorando na medida em que os Distritos Policiais ficam sem presos. Nós, sábado, completaremos 23 Distritos Policiais sem um preso. A carceragem totalmente desativada. Novos Centros de Detenção Provisória (CDPs) vão ser construídos para se continuar esse trabalho de não ter mais preso em Distrito Policial. Acho que a Polícia está mais preparada, mais equipada, com melhores condições de trabalho, mais profissionalizada. São Paulo tem a melhor Polícia do Brasil e acho que esse trabalho vai continuar e com grande esforço.

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