Instituto de Economia Agrícola analisa a competitividade de produtos agrícolas

Instituição é vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento

qui, 07/06/2001 - 12h48 | Do Portal do Governo

Investimentos nacionais em tecnologia e medidas de políticas interna e externa, fatores determinantes para regular a competitividade internacional, explicam a evolução positiva de 70% das exportações da pauta agrícola brasileira no período de 1986 a 1998. Porém, essas variáveis interferem em forma e grau diferenciados para cada categoria de produto, como mostra estudo concluído recentemente pela pesquisadora Valquíria da Silva, do Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – APTA, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento.

No setor de carnes, o segmento de aves e suínos foi o fator que favoreceu a balança comercial brasileira. Condições favoráveis de venda no mercado internacional e investimentos tecnológicos realizados na produção resultaram no aumento da oferta e da capacidade exportadora. A pesquisa aponta que o Brasil, apesar de ter o maior rebanho bovino comercial do mundo, atende basicamente ao mercado interno.

A preocupação com a cadeia produtiva é um fator que deve orientar a formulação de políticas públicas voltadas para o agronegócio. Um exemplo expressivo é o da cadeia da soja. ‘Houve uma evolução positiva dos indicadores do setor de grãos, devido aos incentivos internos de isenção de ICMS e a tarifa zero nas importações européias. Contudo, essas medidas impediram que os produtos com maior valor agregado, como farelo e óleo de soja, atingissem melhores desempenhos’, explica a pesquisadora.

Já o leite foi uma das categorias em que o Brasil tornou-se importador líquido. ‘Nesse setor o país não se modernizou e acabou ficando para trás devido à baixa produtividade nacional’, explica Valquiria. A política comercial adotada estimulou a importação de matéria-prima pela indústria ligada ao produto, aponta a pesquisa. Outra conseqüência de política interna que compromete o desempenho brasileiro aplica-se aos cereais. A retirada de subsídios destinados à produção de trigo, a abertura da economia brasileira e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) favoreceram o crescimento das importações de cereais.

O indicador de desempenho foi positivo com relação ao Mercosul para 88% das categorias de produtos analisados. Com outros blocos econômicos, como Nafta e União Européia, o país perdeu mercado para a maioria dos produtos constantes da pesquisa. Os principais fatores foram as barreiras impostas à importação, como por exemplo as quotas fixadas para o segmento de carnes.

‘Os agroexportadores brasileiros deverão estar preparados para enfrentar a ampliação e o fortalecimento de barreiras não tarifárias com vistas à segurança alimentar, além da competição desleal que enfrentam no mercado internacional causada pelos subsídios e barreiras comerciais. O governo do Brasil deve acelerar as negociações que vem empreendendo com o bloco europeu para definir medidas comuns de caráter sanitário e fitossanitário, para dar credibilidade à produção nacional’, conclui a pesquisadora.

Boletim Inovação APTA – nº 4 – ano 1