Novos feijões do IAC chegam mais resistentes

Correio Popular - Campinas - Quinta-feira, 14 de abril de 2005

qui, 14/04/2005 - 9h41 | Do Portal do Governo

As quatro variedades foram apresentadas aos produtores do Estado após dez anos de desenvolvimento

Angela Kuhlmann
Da Agência Anhangüera

Frutos de pesquisas desenvolvidas nos últimos dez anos no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), quatro novas variedades de feijão chegam às mãos dos produtores em lançamento feito ontem e hoje no Campo de Pesquisas do IAC em Capão Bonito (SP), onde os novos materiais estão sendo apresentados aos profissionais do agronegócio e de toda a cadeia produtiva. A novidade vai possibilitar maior produtividade por hectare e mais resistência aos vários patógenos do feijoeiro que, em alguns casos, chegam a derrubar em até 95% a lavoura do produto.

Principal fonte de proteína vegetal e presente diariamente na mesa de todos os brasileiros, três das novas variedades são do tipo carioca – IAC-Votuporanga, IAC-Ybaté e IAC- Apuã, e uma do preto, IAC-Tunã. Segundo o pesquisador do IAC responsável pelos avanços, Antonio Sidney Pompeu, esses novos materiais, além de maior rentabilidade, proporcionam ainda redução nos custos de produção, além de diminuir o impacto ambiental no campo.

O lançamento também traz outros dois benefícios. “Além da redução do custo de produção ao exigir menos aplicações de agroquímicos, o agricultor pode usar fungicidas de menor custo, apenas em caráter de prevenção”, disse. No entanto, ele alerta para um aspecto que muitos produtores relevam. “É fundamental que o agricultor controle o PH do solo para correção da acidez por meio da coleta de uma amostra enviada para um laboratório que determinará a quantidade exata de adubo para não correr o risco de ter uma produtividade muito abaixo da prevista”, explicou.

O pesquisador ressaltou ainda que as quatro variedades são resistentes aos fungos da antracnose – principal doença da cultura – responsável em muitos casos pela redução em até 95% da produtividade da lavoura; à ferrugem, existente no Brasil em 53 diferentes raças e que pode derrubar a produtividade em torno de 43%; à murcha de Fusarium, que derruba drasticamente a produção e pode até matar, e ao vírus do mosaico, que provoca queda de 50%.

O IAC desenvolve o Programa de Melhoramento do Feijão desde a década de 30 com o objetivo de desenvolver plantas que aliem alta capacidade produtiva à resistência a doenças. Os resultados têm sido positivos e os números provam; a produtividade saltou de 1700 kg/ha para 2800 kg/ha em média desde o início dos estudos. As variedades hoje lançadas apresentam semelhança em três aspectos; o índice de produtividade, que varia de 2778 kg/ha a 2853 kg/ha, teores protéicos parecidos em torno de 20%, e ciclo produtivo de 90 dias em média.

São Paulo

A novidade deve impactar o mercado regional de feijão pois 80% da produção no Estado de São Paulo, quarto maior produtor do País, é do tipo carioca. O Estado colheu 303 mil toneladas na safra 2003/2004 e perde somente para o Paraná, com 668 mil toneladas, Minas Gerais, com 453 mil toneladas e Bahia, com 318 mil toneladas.