Saúde: Estudo inédito revela que é maior o risco de acidentes envolvendo caminhoneiros

Foram analisados 10.464 motoristas que participaram da campanha 'Saúde na Boléia'

seg, 02/12/2002 - 14h00 | Do Portal do Governo

Um estudo inédito no Brasil, realizado pela Concessionária de Rodovias do Interior Paulista (Intervias), Instituto do Sono da Universidade de São Paulo e Laboratório do Sono do Instituto do Coração de São Paulo, revela: o risco de acidentes rodoviários envolvendo motoristas de caminhão é 3,5 maior entre portadores de doença crônico-degenerativa.

A alta prevalência de vida sedentária, hábitos alimentares inadequados e sobrepeso, assim como a grande proporção de fumantes e de hipertensos, são características observadas na população de motoristas de caminhão em vários países. Essas características expõe o caminhoneiro ao risco de adquirir uma série de patologias cardiovasculares, como hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia e coronariopatias. Apesar disso, o estado de saúde de motoristas profissionais raramente tem sido objeto de estudo.

A obesidade, altamente prevalente entre caminhoneiros, também é fator de risco importante para o desenvolvimento da síndrome de apnéia obstrutiva do sono (SAOS), distúrbio que pode ser definido como a ocorrência de paradas respiratórias durante o sono e à noite, consequência da obstrução das vias aéreas superiores. O quadro de paradas respiratórias à noite tem como conseqüência, fragmentação do sono e ativação do sistema nervoso simpático, causando grande sonolência diurna. Somente recentemente notou-se uma alta prevalência de apnéia do sono entre caminhoneiros e o aumento do número de acidentes devido à presença da SAOS.

Nessa pesquisa, foram analisados 10.464 caminhoneiros que participaram da campanha ‘Saúde na Boléia’, realizada pela Concessionária Intervias, responsável por 364 km de rodovias, localizadas na região Centro-Norte do Estado de São Paulo.

Durante a campanha os motoristas responderam, voluntariamente, a um questionário que permite classificar os indivíduos como de alto ou baixo risco para a SAOS, a partir de questões relacionadas a três domínios: ronco, sonolência e obesidade ou hipertensão arterial. Os resultados mostraram que cerca de 26% dos motoristas podem ser classificados como de alto risco para a SAOS.

Cerca de 15% dos motoristas admitiram já ter dormido ao volante, sendo que entre estes, a porcentagem é maior naqueles que estão com maior risco para a SAOS.

A maioria (68%) relatou que não sofreu acidentes. Entre eles, 16% estão os de alto risco para a SAOS e 52% em baixo risco. Ou seja, a porcentagem dos motoristas que não sofreram acidentes em alto risco é menor. Dos 32 % dos motoristas que já sofreram acidentes, cerca de 10% estão em alto risco para a SAOS e 22% em baixo risco. O teste de qui-quadrado confirmou a diferença entre os dois grupos, com maior número de acidentes entre os motoristas em alto risco que o esperado.

Neste estudo, outras análises ainda estão sendo realizadas. Entretanto, os resultados já permitem supor alta prevalência de risco de apnéia obstrutiva de sono entre os motoristas, conforme já foi observado em estudos realizados em outros países.

O que é mais preocupante é que a somatória de diversos fatores, como o trabalho noturno, o consumo de substâncias estimulantes, a vida sedentária e a ocorrência de distúrbios de sono, dentre outros, termina por influenciar o desempenho dos motoristas ao volante e, consequentemente, aumenta o risco de acidentes rodoviários.

Do Departamento de Comunicação da Concessionária de Rodovias do Interior Paulista – Intervias

A.M.