Saúde: Estado decreta 23 de novembro o ‘Dia D de Combate à Dengue’

A cada ano, mais pessoas tornam-se aptas a desenvolver a forma hemorrágica da doença

seg, 18/11/2002 - 11h52 | Do Portal do Governo

O Governo do Estado está instituindo 23 de novembro o ‘Dia D de Combate à Dengue’. O decreto será publicado no Diário Oficial desta terça-feira, dia 19. A medida visa intensificar as ações de eliminação de criadouros do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, no período de chuvas. Um conjunto de atividades estará em curso ao longo da semana, que antecede em um mês o início do verão.

A mobilização da população é de fundamental importância para o controle efetivo da doença, já que o mosquito precisa de água parada e limpa para se desenvolver e proliferar. O objetivo é conscientizar a sociedade para que os trabalhos não se restrinjam ao dia 23, mas sejam contínuos.

Alunos de todas as escolas estaduais e de muitas municipais desenvolverão trabalhos ligados ao tema e serão convidados a colaborar no combate ao mosquito. No sábado, dia 23, as escolas serão abertas à comunidade para atividades. “Nós temos a tendência de achar que a responsabilidade é sempre dos outros. Não é verdade. Dengue é nossa responsabilidade. Nós temos de nos preocupar, temos de olhar nossa própria casa. O mosquito está muito mais próximo de nós do que podemos imaginar”, destaca o superintendente da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), vinculada à Secretaria Estadual da Saúde, Luiz Jacintho da Silva.

O risco de uma epidemia no próximo verão existe. E a tendência é de aumento dos casos da forma mais grave da doença, a hemorrágica, que pode levar a morte. Os números da dengue são alarmantes. Para se ter uma idéia, o mosquito Aedes aegypti está presente em 100 países, onde vivem 2,5 bilhões de pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 80 milhões de pessoas se infectem anualmente em todo o mundo, causando aproximadamente 500 mil internações e 20 mil mortes por ano. O comportamento da doença no Brasil tem seguido a tendência apresentada na América Central, Caribe e Sudeste Asiático. Embora o número de pessoas infectadas seja menor, os casos graves são mais comuns.

Em São Paulo tivemos 51 mil casos em 2001. Esta ano, foram 40 mil, no entanto, o número de casos de dengue hemorrágica, que no ano passado foi de cinco, este ano subiu para 19, com seis mortes.

Jacintho explica que existem quatro tipos diferentes de vírus da dengue. Três deles já circulam no Brasil e o quarto está muito próximo, na Venezuela e no Peru. “É quase impossível impedir o mosquito de entrar no País. Quando existe a circulação de vários tipos de vírus e uma sucessão de casos de dengue, como tem ocorrido no Brasil, há um risco individual maior de ter formas graves de doença. Quanto mais tempo passa, quanto mais epidemias nós temos, maior o risco de aumento de dengue hemorrágica. A situação se torna cada vez mais crítica à medida que o tempo passa e a necessidade de trabalhar para controlar a proliferação do mosquito é fundamental”, afirmou.

O secretário estadual da Saúde, José da Silva Guedes, explica que é falsa a impressão de que à medida que várias epidemias se sucedem, uma porcentagem grande da população adquire anticorpos contra a dengue. “Isso não é verdade. Cada ano tem mais gente que já teve dengue pelo vírus tipo um, ou dois, ou três. E essas pessoas terão a memória imunológica da doença para o resto da vida. Então, a cada ano temos mais gente preparada para ter dengue hemorrágica”, afirmou. A única forma de evitar a dengue hemorrágica, de acordo com Guedes, é eliminando o mosquito transmissor. “Dengue é um problema sério e crescente”, enfatizou.

Cíntia Cury