Feriado: Pacientes cardíacos realizam evento no Incor

Crianças, pais, acompanhantes e médicos se reúnem na festa da campanha anual em prol da doação de órgãos para o transplante infantil

qui, 10/10/2002 - 19h41 | Do Portal do Governo

O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor-HC/FMUSP) promove no próximo sábado, dia 12, a partir das 10h, festa comemorativa do Dia das Crianças Cardíacas do Incor.

Pelo segundo ano consecutivo, crianças cardiopatas internadas, pais, acompanhantes, médicos e profissionais das unidades clínica e de internação infantil do Instituto, além de um grupo de crianças transplantadas cardíacas, irá se reunir em torno do lema ‘Doar é abrir o coração’.

Entre muitas brincadeiras e alegria o grupo chama atenção para a importância da doação de órgãos para o transplante em crianças. O programa de transplante infantil do Incor teve início em 1992. Desde então, mais de 50 crianças foram transplantadas 70% delas vítimas de miocardiopatias por vírus sem causa definida e 30%, de malformações congênitas com idades variando de alguns dias a até 10 anos.

Atualmente o Instituto mantém dois pacientes em fila de espera, um deles, de cerca de 2 anos, vindo de Brasília, está internado em estado crítico. Cerca de 60% das crianças que necessitam de um transplante no Incor morrem na fila de espera.

Um novo coração pode ser a diferença entre a vida e a morte para essas crianças, diz o dr. Miguel Barbero Marcial, chefe da equipe cirúrgica de transplante infantil do hospital. No caso de Lucas Cássio Patrício, felizmente ele proporcionou a vida. Na festa, o menino de 3 anos estará comemorando seu primeiro ano de transplante.

Assim como Lucas, 30 mil crianças nascem anualmente com alguma mal formação congênita no coração, que evolui desde um simples problema, passível de correção total com uma única cirurgia, a até insuficiência crônica do órgão, necessitando de transplante.

Segundo Marcial, para atender a demanda dos hospitais seria necessário aumentar em cinco vezes o número de doações, principalmente se for levado em conta o problema de incompatibilidade entre receptor e doador, que inviabiliza muitos transplantes.

Muitos dos órgãos que poderiam beneficiar crianças, diz o cirurgião, acabam sendo perdidos diante da resistência familiar do doador e da não notificação do caso pelos profissionais de saúde. Daí a necessidade de estarmos permanentemente mobilizados pela conscientização das pessoas com relação à importância do assunto, ressalta Marcial.